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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Os dois Jesus

Como não é possível, sob o ponto de vista histórico, negar o nascimento de um certo Jesus, na época do imperador romano César Augusto, de Quirino (governador da Síria) e de Herodes, o Grande (rei dos judeus), e como uma boa quantidade de pessoas não consegue acreditar em sua história conforme o relato dos Evangelhos, não há outra solução senão o dilema dos dois Jesus, o Jesus das Escrituras Sagradas (de Gênesis a Apocalipse) e o Jesus das enciclopédias. Essa situação embaraçosa nos coloca diante de jesuses contrastantes entre si. A identificação dada a eles mostra a substanciosa diferença entre um e outro, como se pode ver a seguir:

Temos o Jesus dos Evangelhos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João) e o Jesus dos Evangelhos apócrifos; o Jesus eterno (que no princípio estava com Deus) e o Jesus temporal; o Jesus filho de Deus e filho do homem e o Jesus exclusivamente filho de José e Maria; o Jesus morto, sepultado e ressuscitado e o Jesus apenas morto e sepultado; o Jesus cheio (“de graça e de verdade”) e o Jesus vazio (de qualquer vestígio do sobrenatural); o Jesus real (“quem me vê, vê o Pai”) e o Jesus inventado; o Jesus da fé e da razão e o Jesus só da razão; o Jesus imatável (“Ninguém tira a minha vida de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade”) e o Jesus mártir (aquele que é morto por suas crenças ou opiniões); o Jesus de ontem, hoje e amanhã e o Jesus apenas de ontem; o “próprio” Jesus e o “outro” Jesus; o Jesus da teologia e o Jesus da filosofia; o Jesus da erudição ortodoxa e o Jesus da erudição liberal; o Jesus dos cristãos e o Jesus dos reencarnacionistas.

Entre um Jesus e outro há um grande abismo, que tem separado violentamente os seguidores de Cristo dos simpatizantes de Cristo. O filósofo alemão Gotthodd Efrahim Lessing (1729-1781), filho de um pastor luterano, confessa honestamente que entre o Jesus eterno e o Jesus histórico há um “fosso terrível”, que ele não consegue atravessar “por mais freqüente e diligente que tente chegar ao outro lado”.

O mundo sempre esteve e ainda está tremendamente dividido a respeito de Jesus. Do outro lado do “fosso terrível” há muita gente simples e também renomados pensadores e teólogos. Entre os mais conhecidos e respeitados sobreviventes do dilema destaca-se, por exemplo, um homem de 84 anos que já foi capelão da rainha Elizabeth e hoje é reitor da All Souls Church, em Londres, e presidente do London Institute for Contemporany Christianith. Chama-se John R. W. Stott. Em Por Que Sou Cristão, seu mais recente livro, escrito em 2003 e publicado em português logo em seguida, o apreciado Stott, que acaba de comemorar 67 anos de vida cristã, faz preciosas confissões cristocêntricas:

“Não nos envergonhamos de Jesus Cristo, que é o centro e o cerne do cristianismo” (p. 39).

“Jesus colocou-se numa categoria moral em que estava só. Todos os demais estavam na escuridão; ele era a luz. Todos estavam famintos; ele era o pão da vida. Todos estavam sedentos; ele era a água viva. Todos eram pecadores; ele podia perdoar os pecados” (p. 46).

“A morte de Cristo foi uma expiação, uma revelação e uma conquista — uma expiação pelo pecado, uma revelação de Deus e uma conquista sobre o mal” (p. 58).

“Em qualquer compreensão equilibrada da cruz, confessaremos Cristo como Salvador (expiando nossos pecados), como mestre (revelando o caráter de Deus) e como vitorioso (vencendo os poderes do mal)” (p. 67).

À semelhança daqueles mestres da lei do tempo de Jesus que “não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo” (Mt 23.13), há certos teólogos hoje em dia que são incapazes de atravessar o “fosso terrível” e ainda divulgam suas idéias para dificultar a travessia de outras pessoas. Precisamente há 20 anos foi fundada em Santa Rosa, na Califórnia, Estados Unidos, uma sociedade de teólogos católicos, protestantes, judeus e ateus que se propõe a adotar e divulgar uma teologia anti-sobrenatural através de livros, artigos, conferências e entrevistas. O autor de Jesus: Uma Biografia Revolucionária, John Dominic Crossan, por exemplo, sugere que o corpo do Senhor teria sido enterrado numa vala rasa, desenterrado e comido pelos cães. Para os teólogos dessa sociedade, denominada de Seminário Jesus (Jesus Seminar), Jesus poderia ter sido tudo (um cínico, um reformador social, um feminista, um profeta escatológico), menos Emanuel (Deus conosco), Salvador do Mundo, Rei dos reis. Para eles, 82% do que os Evangelhos canônicos atribuem a Jesus não é autentico. Segundo Robert W. Funk, seu líder principal, o Seminário concluiu que “os contextos narrativos em que as palavras de Deus são preservadas nos Evangelhos são invenção dos evangelistas”.

Esse Jesus esvaziado dos elementos sobrenaturais torna-se igual a qualquer ser humano e perde todo o seu valor. O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, que faria 100 anos no início do próximo ano se não tivesse sido enforcado em abril de 1945 no campo de concentração de Bunchenwall, explica que “considerar o Cristo histórico inteiro significa considerá-lo em todas as três fases de sua existência: encarnação, paixão e ressurreição”.

Os espíritas têm um grande apego a Jesus Cristo, ao ponto de se autodenominarem seus amantes, amigos, apóstolos, caminheiros, discípulos, emissários, enviados, irmãos, obreiros, operários, pequeninos, seareiros, seguidores, servidores, servos, tarefeiros e trabalhadores (a julgar pelo nome de 77 centros espíritas brasileiros). Eles conferem a Jesus inúmeros títulos altamente honoríficos, como “o ser mais puro que até hoje se manifestou na Terra”, “o espírito da mais alta hierarquia divina”, “o mais compassivo dos médicos desde o princípio”, “a maior essência espiritual depois de Deus”, “a manifestação mais perfeita de Deus que o mundo conhece”. Eles se dizem “assembléia de Jesus”, “centelha de Jesus”, “rebanho de Jesus” e “seara de Jesus”. Todavia, ao mesmo tempo, afirmam que “Jesus não é nem homem nem Deus”.

O reencarniocionista americano Edgar Cayce (1877-1945), fundador da Associação para Pesquisa e Iluminação (1931), chega a blasfemar quando ensina que “Jesus é o resultado de uma longa cadeia de reencarnações”. A mesma blasfêmia é repetida por José Simões de Paiva Neto, da Legião da Boa Vontade: “Jesus também começou como nós, na estaca zero. Ele não foi criado com uma perfeição sem jaça. Foi feito simples e ignorante como cada um de nós, claro que anteriormente à fundação do planeta Terra. Jesus evoluiu em outro mundo e foi desenvolvendo o seu espírito de encarnação em encarnação, até chegar à unidade com o Pai, a ponto de poder dizer: ‘Eu e o Pai somos um’”.

Todas as religiões reencarcionistas cometem o monstruoso e ingrato crime de negar o doloroso sacrifício expiatório de Jesus, por meio do qual é possível obter pela fé o perdão dos pecados.


Buda de pernas cruzadas e Jesus de braços abertos

Em suas viagens à Ásia, várias vezes John Stott permanecia parado em atitude de respeito diante de uma estátua de Buda. Lá estava o fundador do budismo nascido há mais de 500 anos antes de Cristo, com “as pernas cruzadas, os braços dourados, os olhos fechados, o fantasma de um sorriso nos lábios, sereno e silencioso, com um olhar distante na face, desligado das agonias do mundo”.

Então, em sua imaginação, Stott voltava-se para outra pessoa, para “aquela figura solitária, retorcida, torturada sobre a cruz, com pregos lhe atravessando as mãos e os pés, com as costas dilaceradas, distorcidas, a testa sangrando nos pontos perfurados por espinhos, a boca seca, sedenta ao extremo, mergulhada na escuridão do esquecimento de Deus”.

A visão do Buda de pernas cruzadas e a do Jesus de braços abertos levou Stott a escrever:

“[Jesus] colocou de lado a sua imunidade para sentir a dor. Ele entrou em nosso mundo de carne e sangue, lágrimas e morte. Ele sofreu por nós, morrendo em nosso lugar, a fim de que pudéssemos ser perdoados. Nossos sofrimentos tornaram-se mais suportáveis à luz do Cristo crucificado” (Por Que Sou Cristão, p. 68).

Fonte: Revista Ultimato

A Bíblia como fonte Historiográfica

RESUMO

A Bíblia sagrada dos Cristãos não advoga para si a definição de “Documento Histórico”, este conceito não era peculiar aos seus autores. Não se encontra em seus escritos apenas uma tentativa de fidelidade histórica, ainda que isto lhe seja inerente, mas é possível descobrir que seu interesse é religioso, ou seja, concepções religiosas permeiam a narrativa bíblica. Não se pode desprezar, porém, que isto se dá em um momento histórico definido, portanto, fé e história se entrelaçam, criando assim um ambiente riquíssimo para o historiador moderno.


1 INTRODUÇÃO

Devo, com plena convicção, destacar, ao introduzir este trabalho, que a Bíblia não defende para si o pressuposto de “Documento Histórico”. A bíblia é um conjunto de vários livros de caráter religioso, escritos em vários momentos da história de Israel, dos Judeus e dos seguidores de Jesus de Nazaré.

É evidente que as experiências religiosas destes grupos se contextualizam num momento histórico específico, de maneira que a experiência religiosa se entrelaça com a história, em perfeita harmonia.

Este texto defende o conceito de que a Bíblia é, sem sombra de dúvida, uma fonte historiográfica, principalmente quando o labor histórico se dispõe a dialogar com as demais disciplinas das ciências humanas, construindo pontes de acesso à cosmo visão Bíblica.

Portanto, partindo das novas pesquisas, em especial, dos pressupostos da “Nova História”, entendemos que a Bíblia é uma importante fonte historiográfica, e sua contribuição é incalculável para o projeto histórico crítico.
Meu objetivo não é defender a credibilidade dos acontecimentos relatados no livro “Sagrado dos Cristãos”, mesmo acreditando ser possível, meu intuito é tão somente definir o que é a Bíblia e, tentar desmistificar algumas questões referentes ao seu texto.

Mesmo entendendo que estou condicionado pelas minhas convicções religiosa e acadêmica, entendo ser possível me lançar neste projeto com seriedade e independência, características necessárias para uma boa pesquisa.


2 O FALSO PRESSUPOSTO DE QUE A BÍBLIA É UM “DOCUMENTO HISTÓRICO”

É importante destacar que não houve, no período compreendido como “pré-moderno”, um questionamento sobre a historicidade do conteúdo da Bíblia, era fato inquestionável a veracidade de toda afirmação Bíblica, sendo que alguns posicionamentos contrários eram tidos como gravíssimo sacrilégio.

O debate sobre a credibilidade histórica da Bíblia surge em período posterior, com o advento do pressuposto “cientificista do iluminismo”, que inaugura a “era moderna” no limiar do século XVIII.

A partir deste período a Bíblia passa a ser investigada como “objeto histórico”, fato impulsionado pela pretensão de se encontrar o “Jesus Histórico”, ou seja, o homem Jesus de Nazaré, livre do condicionamento da fé dos primeiros cristãos.

A tirania “histórico-positivista” desqualificou completamente a Bíblia de sua importância histórica, atitude que distanciou completamente a historiografia do texto “Sagrado dos Cristãos”.

Até hoje a relação dos historiadores com a Bíblia não é amistosa, sendo que nos últimos anos esta imagem negativa vem melhorando, devido aos achados arqueológicos, que apontam para a fidelidade do relato Bíblico e também a atitude maleável dos teóricos da “Nova História”.

A afirmação de que a Bíblia não é um “Documento Histórico” poderá abalar as convicções dos Cristãos mal informados, mas não encontramos uma única informação no texto Bíblico que defenda este conceito de “Documento Histórico”, mesmo porque o conceito de “História” é uma pretensão do homem moderno e não fazia parte do universo conceptual dos escritores Bíblicos.
O professor de Teologia Bíblica Rochus Zuurmond (1998, p.118) da Faculdade Livre de Amsterdam, Holanda, nos traz uma importante contribuição sobre esta questão:

Por isso convém frisar outra vez que: a) os livros bíblicos, inclusive os evangelhos, não pretendem ser historiografia, já pelo fato de que a própria noção de “histórico” , como a usamos de alguns séculos para cá, era desconhecida; b) pensava-se de maneira “a - histórica” e, além disso, os evangelistas tinham por objetivo algo muito diferente de escrever história; queriam anunciar o fato, de importância mundial, de que Jesus estava vivo, com todas as conseqüências de tal fato; c) a história foi colocada a serviço do anúncio, e por isso não podia ser narrado em forma de “historiografia”, no sentido pretensioso que damos a esse termo.


Portanto, se trata de grave equívoco enquadrar a Bíblia em um conceito do mundo “moderno”, é evidente que os escritores Bíblicos tinham plena consciência de que estavam escrevendo algo verdadeiro e não tinham interesse que seus escritos impactassem a posteridade, são textos de ocasião, para fomentar a fé em Deus.

Quando o Apóstolo Paulo escreve suas epístolas não tem a menor intenção de que seus escritos se tornem textos sagrados dos seguidores de Cristo, suas cartas surgem de um difícil relacionamento teológico-pastoral com as comunidades fundadas por ele em suas viagens missionárias, portanto são literaturas de ocasião, e deve ser compreendida como tal.

Outros exemplos importantes podem ser constatados nos evangelhos, fontes que relatam as ações e os ensinamentos de Jesus na Palestina, estes escritos que partem de uma concepção religiosa sobre Jesus, não deixaram de destacar o aspecto histórico, pois se dedicaram em escrever sobre um personagem que nasceu, viveu e morreu, portanto um sujeito “Histórico”.

Qual o sentido da morte de Jesus para seus seguidores? Apenas evento histórico? Evidentemente que não, o acontecimento inaugura uma experiência religiosa: Cristo morreu pelos nossos pecados!

São alguns exemplos que mostram que o conceito de historicidade não era familiar aos autores dos livros Bíblicos, não se pode amordaçar o texto “Sagrado dos Cristãos” com concepções que lhes eram estranhas.

Portanto é falso o pressuposto que determina ser a Bíblia um “Documento Histórico”, não é este o seu objetivo, seu intento é fomentar a fé em um “Deus vivo”, cujo propósito é se revelar a toda criação, por intermédio de seu filho “Jesus Cristo”.

3 O FALSO PRESSUPOSTO DE QUE A BIBLIA NÃO É UMA “FONTE HISTÓRICA”

Acredito que em minha primeira abordagem ficou aparentemente claro que a Bíblia não é, e nem tampouco advoga ser, um “Documento Histórico”, pelo menos no enquadramento da “concepção moderna” que define as condições de tal pressuposto.

A atitude agressiva dos primeiros “historiadores iluministas” não se justificava, pois o texto “Sagrado dos Cristãos” jamais intentou ser um “Documento Histórico”, algo que tratei no capítulo anterior.

Esta falsa perspectiva distanciou os historiadores da Bíblia, negando com veemência sua importância como fonte historiográfica, é claro que esta postura deve ser entendida como um condicionamento de uma época que tentava se libertar da influência religiosa sobre o pensamento Ocidental.

Sobre o conceito que dominou a mentalidade dos historiadores do século XIX, recorro ao especialista em História, René Latourelle, que contribui da seguinte forma (1989, p.103):

A concepção da história que dominou no século XIX e que durante muito tempo inspirou os julgamentos sobre o valor histórico dos Evangelhos é a do positivismo representado por Ludwig von Ranke (1795-1886) e Theodor Monnsen (1817-1903). Ora, segundo os cânones do positivismo que aspira a dar do passado uma imagem exata e completa, a partir de fontes “historicamente puras”, esse julgamento de valor não pode deixar de ser desfavorável aos Evangelhos, estes lhes parecendo evidentemente como fontes “contaminadas” pela perspectiva da fé e pela interpretação teológica.


Esta concepção dominou por muito tempo a ciência histórica, numa atitude preconceituosa contra o texto Bíblico, evidentemente que esta visão não goza de muito prestigio na atualidade, devido à ingenuidade de seus postulados.

Segundo Latourelle (id, p.103), “Temos de reconhecer que semelhante ideal é não apenas inacessível, mas também contrário à realidade. Os fatos são sempre acompanhados por uma interpretação individual ou coletiva, sem a qual, aliás, ficariam ininteligíveis”.

É claro que esta postura antagônica inflamou reações imediatas entre os defensores da Bíblia que, tomados por um zelo religioso, empreenderam uma busca ferrenha, com o intuito de provarem de todas as maneiras a veracidade e fidelidade histórica do texto “Sagrado”, abrindo assim um abismo profundo entre as duas partes.
Juan Arias descreve este momento da seguinte forma (2001, p.23): “Por isso a Igreja se pôs a vasculhar desesperadamente nos documentos históricos da época, tanto judeus como romanos, em busca de alguma pista sobre a existência real da pessoa de Jesus”.

Estes dois pólos de tensão ficaram para trás, sendo possível hoje reabilitar o texto Bíblico como importante ferramenta de investigação historiográfica, resgatando sua credibilidade como fonte indispensável para entender a formação do mundo Ocidental.

Sobre o conceito moderno de história, Arias escreve (id, p.30):

Quanto ao conceito de história, que é, sem dúvida, muito mais preciso e rigoroso que o da Antigüidade, acredita-se que cada momento histórico possui o seu e que cada época tem uma forma de transmitir os fatos. E que não podemos julgar com critérios modernos o método usado pelos historiadores de 2.000 anos atrás.

Através da Bíblia é possível entender, com todas as dificuldades impostas, quem foi Jesus de Nazaré e de que maneira seus seguidores o interpretaram, dando origem ao maior empreendimento religioso da história, o Cristianismo.

É possível também conhecer e entender a história do povo Hebreu, principalmente quando entendemos sua influência sobre o Cristianismo, com seus valores, costumes, sua fé monoteísta, suas leis, sua estrutura socioeconômico.

Enfim, pode-se concluir que com as recentes reflexões sobre a natureza da história, sua ambição e seus limites possibilitam resgatar a importância do universo Bíblico como via de acesso para entender o mundo Ocidental.

Com muita propriedade Latourelle escreve sobre a difícil tarefa do historiador (id, p.107), “A arte do historiador consiste em captar essas harmonias que se propagam através dos séculos. É também por isso que é possível reescrever sem cessar a história, em razão da mudança do horizonte”.

Pode-se dizer, diante do enunciado, que o labor histórico deve perceber as subjetividades implícitas no fluxo da história, e o texto Bíblico é bastante amplo em experiências religiosas, fruto do universo particular de cada época.

4 CONCLUSÃO

Concluo este trabalho citando, com base no Evangelho segundo escreveu Lucas 1: 1-4, as três etapas que antecedem a origem dos evangelhos: A tradição oral, a tradição escrita e por fim o empreendimento teológico redacional.

Com base no que foi desenvolvido neste trabalho, gostaria de reafirmar que a Bíblia não é em hipótese alguma um “Documento Histórico”, ainda que este conceito traga inquietação e perturbação, muito pelo contrário, não se pode domesticar o “texto sagrado” a um mero conceito, a Bíblia vai além de conceitos e formulações.

Devo salientar, porém que a Bíblia é uma fonte historiográfica riquíssima, não podendo ser desprezada pela erudição moderna, corre-se o risco de atitude preconceituosa e leviana, tendo em vista o seu valor na elaboração do mundo Ocidental contemporâneo.


5 REFERÊNCIAS

ARIAS, Juan. Jesus, esse grande desconhecido. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
LATOURELLE, René. Jesus existiu? : história e hermenêutica. Aparecida: Santuário, 1989.
ZUURMOND, Rochus. Procurais o Jesus histórico? São Paulo: Loyola, 1998.


Fonte: Blog "pentecostalidade.blogspot.com"