quarta-feira, 12 de março de 2014

Número da Besta: 666 ou 616?

Esta questão tem ocupado calorosamente leitores e comentadores do Apocalipse desde o séc. II da nossa era. Com efeito, S. Ireneu (140-202) refere que já em seu tempo os códices do Apocalipse exibiam duas variantes do dito número (666 e 616), sem que se soubesse qual o seu significado exato (Adv. haer. 5,30, 2).

Contudo será preciso reconhecer que o enigma devia ter sentido evidente para os leitores imediatos do Apocalipse, ou seja, para os cristãos da Ásia Menor aos quais no fim do séc. I São João se dirigia ; era justamente com o intuito de os orientar que o Apóstolo escrevia o texto de Apc 13, 18 ; não lhes queria propor um «quebra-cabeça», mas algo de que pudessem tirar proveito, porque sabia que tinham os meios para o decifrar; infelizmente, porém, desde cedo se apagou nos cristãos a reminiscência dos elementos necessários à elucidação (perdeu-se a chave do enigma).

Vejamos o que hoje, coligindo alguns dados seguros, se pode dizer de mais provável sobre o assunto.

1) O misterioso número deve designar algum homem, pois o hagiógrafo adverte que é «número de homem» (13,18). E como o designa?

Os gregos e hebreus atribuíam valor numérico a cada uma das letras do seu alfabeto (os romanos, ao contrário, só a algumas o atribuíam) ; baseados nisto, compraziam-se em contar o valor numérico de determinado nome e, em consequência, de determinada pessoa. Este proceder, que constituía a arte chamada «gematria»-, era muito usual entre os povos do Mediterrâneo (em Pompei, por exemplo, no Sul da Itália, foi encontrada a seguinte inscrição : «Amo aquela cujo número é 545» ; cf. Sogliano, Rendiconti delia Reale Accademia dei Lincei 1901,256-9).

2) São João, em Apc 13,18, usou de modo de falar obscuro, provavelmente porque entendia proferir um juízo sinistro sobre algum dos dignitários (ou monarcas) do Império Romano; não queria incorrer no crime de lesa-autoridade ou de lesa-majestade nem tornar os seus leitores suspeitos disto; o livro do Apocalipse podia cair em mãos de pagãos que, se compreendessem a alusão à autoridade, se vingariam dos cristãos (as primeiras perseguições já tinham sido desencadeadas por Nero em 64), Por isto se referia a Roma mencionando Babilônia (cf, c. 16), à semelhança do que fizera São Pedro em 1 Pdr 5,13. — Disto se segue que se deve procurar o personagem designado pelo número 666 entre os chefes do Império contemporâneos ou anteriores a São João. Sim ; se os leitores do Apocalipse não tivessem de antemão certo conhecimento do varão mencionado, jamais poderiam decifrar o enigma proposto.

3) Consequentemente vê-se que será no vocabulário grego ou no hebraico (com os quais estavam familiarizados os destinatários do Apc) que se deverá buscar a solução. Não entra em questão o latim, pois este no séc. I da nossa era não passava de dialeto confinado ao Lácio (península itálica), dialeto que ficava alheio às cogitações dos leitores imediatos da obra de São João.

4) Feitas estas aproximações, só restam três soluções mais ou menos plausíveis para o nosso enigma : os nomes
 - GAIOS KAISAR (Gaio César, designação de Calígula Imperador) ou
- KAISAR THEÓS (César é Deus). Estas são duas expressões gregas cujas letras somadas dão o total de 616. Ou então
- QESAR NERON (César Nero), termos gregos que, escritos em caracteres hebraicos, perfazem a soma de 666 : Q = 100; S = 60; R = 200; N = 50; R = 200; O - 6; N = 50 (as vogais e e a não se contavam em hebraico).

Destas três interpretações, a mais plausível é a última. Proposta pela primeira vez entre 1830 e 1840 por Fritzsche, Bénary, Hitzig, tem aliciado grande número de exegetas. Oferece, entre outras vantagens, a de explicar as variantes 666 e 616 dos antigos códices: alguns copistas influenciados pela forma latina Nero terão omitido o n final que figura no nome grego Neron, diminuindo assim de 50 unidades a soma total das letras. Note-se que, das duas variantes do número, a que parece originária e merece a clara preferência tanto de S. Ireneu (séc. II) como dos melhores códices, é 666. Teríamos, pois, em Apc 13,18, uma alusão ao famoso Imperador Nero.

Verdade é que este soberano já morrera quando São João escrevia o Apocalipse; o Apóstolo, porém, tomava-o como personificação do poder imperial hostil aos cristãos, pois Nero fora o iniciador das perseguições e ficava marcado, na reminiscência dos pósteros, como o tipo do perseguidor cruel e vicioso ou como a figura do Anticristo.

Poder-se-ia objetar que a solução QESAR NERON supõe uma ginástica mental assaz forçada: trata-se de dois nomes gregos que se pressupõem escritos em caracteres hebraicos, num livro destinado a leitores que pouco deviam conhecer o hebraico. A esta dificuldade replica-se que São João bem pode ter chamado a atenção dos seus leitores para este artifício; não chegou a escrever tal advertência para não se trair e não se expor a alguma represália da parte dos pagãos; mas por via oral terá instruído a respeito os cristãos que levaram o Apocalipse de Patmos para a Ásia Menor. Será preciso também tomar em conta que havia bom numero de judeus nas cidades da Ásia Menor às quais se dirigia o Apóstolo. — A hipótese se torna ainda mais provável caso se tenha em vista que, quando os gregos em seus papiros gregos, queriam aludir a pessoa ou coisa misteriosa, recorriam não raro a vocábulos hebraicos ou semíticos.

5) À luz do que foi dito, vê-se que qualquer sentença que procure na língua latina ou entre personagens posteriores ao séc. I a interpretação do número, está fora de propósito; São João teria frustrado seu desígnio de esclarecer e acautelar os leitores gregos e judeus da Ásia Menor aos quais ele escrevia.

Várias, porem, são as tentativas de solução que incorrem em tais incongruências. Eis alguns dos nomes para os quais apontam: o Imperador Juliano o Apóstata (+363), o invasor huno Átila (séc. V), Maomé (+632), o Papa Bonifácio VIII (+1303), Inácio de Loiola (+1556), Lutero (+1546), o rei Luís XIV de França (+1715), o imperador Napoleão (+1821), Adolfo Hitler, etc. —Já também quem diga que o Papa traz na tiara o título latino de VICARIUSS FILII DEI e que esta expressão perfaz a soma de 666 (V=5; I=1; C=100; I=1; U=5; I-1; L=50 ; II=2; D=500; I=1). O mesmo total 6 obtido por outro titulo que dizem ser característico do Sumo Pontífice: LATINUS REX SACERDOS. Na verdade, a tiara do pontífice não traz inscrição alguma. Quanto ao título que se costuma atribuir ao Papa, é o de VICARIUS CHRISTI.

Não será necessário perder tempo em demonstrar que todas estas explicações carecem de fundamento no texto sagrado ; são produtos arbitrários da fantasia. Tão longe têm ido os autores movidos por preconceitos que chegaram a ver no número 666 a soma das letras hebraicas do nome JESUS NAZARENO: YSW NCRV. O próprio Jesus Cristo seria então a besta do Apocalipse ou o Anticristo! Tal foi a sentença do rabino Davi Berman («Mercure de France», 1918, 190), o qual seguia Valentim Weigel, pseudomístico do séc. XVI e discípulo de Paracelso (cf. Corrodi, Geschichte des Chiliasmus III 32-s). — O caso do rabino Berman mostra bem que quem quer identificar a besta do Apocalipse com o Papa, não tem motivo para não a identificar com o próprio Cristo. Arbitrariedade por arbitrariedade, uma equivale à outra.

Por sua vez, o escritor norte-americano David Goldstein advertiu que o nome de ELLEN GOULD WHITE, a profetiza dos Adventistas do Sétimo Dia, tem o valor numérico de 666:

E L(50) L(5) EN GO V(5) L(50) D(500)W(=V(5) V(5)) H I(1) = 666

Vê-se assim quão vá é a polêmica moderna em terno do assunto.

Voltando agora a uma reflexão serena, pode-se observar que, segundo a mentalidade mística antiga, o número 666 indicava essencialmente precariedade ou derrota. Compõe-se, sim, do algarismo 6, que ó um 7 (símbolo da perfeição) truncado, ou um 12 (outro símbolo da perfeição) cortado pela metade. Por conseguinte, o indivíduo designado por três «seis» justapostos está, a duplo titulo, entregue à ruína; tal era a sorte que São João queria atribuir a Nero, ou seja, aos perseguidores dos cristãos e ao Anticristo.

Em oposição a 666 está o número 888, soma das letras gregas do nome JESOUS. Se seis era o algarismo típico da imperfeição, cito (que equivale a 7 + 1) designava a perfeição em toda a sua ênfase ; por conseguinte, três oito justapostos simbolizariam muito eloquentemente as riquezas do sabedoria e bondade do Redentor. É o que a Sibila (I 321-331), antigo apócrifo cristão, fazia notar com muito garbo no inicio da nossa era.

Autor: Dom Estêvão Bettencourt (OSB)
fonte: http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?num=2200

Persignação: O Sinal da Cruz e Seu Uso

O Sinal da Cruz e seu Uso

Desde bem cedo os cristãos antigos associaram a cruz, que é um símbolo universal, Àquele que foi nela morto. No período inicial a representação de Cristo e da Cruz são representações do Glorificado. Ela não é o lugar onde Cristo foi suplicado, mas glorificado . Isso se deve, no início, ao ambiente judeu-cristão onde, por respeito aos 10 Mandamentos, não se faziam pinturas humanas. Assim, representar a Cristo por meio da cruz, com sua vitória, era mais aceitável em tais ambientes. Somente na Idade Média é que a ideia de ressurreição e exaltação foi substituída pela ideia da morte e humilhação.

Porém, é mesmo a partir da definição da Doutrina da Trindade, que a cruz passa a ser muito mais valorizada como símbolo pelos cristãos. Talvez por influência de Constantino e o uso que fez das letras “chi” (que tem a forma de X – ou de uma cruz) e “rho” (que tem a forma de P), como seu brasão na luta por unir o Império Romano que, reza a lenda, foi lhe dada em sonho quando uma voz lhe disse: “In hoc signus vinces” . Mas o fato é que o gesto do Sinal da Cruz (a persignação) se faz acompanhada da afirmação “Pai, Filho e Espírito Santo”.

A Doutrina da Trindade não foi um consenso. Os que não aceitavam a deidade de Jesus e/ou do Espírito Santo, reagiram à doutrina. Dentro da Igreja estabeleceu-se uma luta para ser aceita a doutrina. Muitos gestos, músicas e outras coisas fáceis de aprender e guardar, foram criadas no Século V para auxiliar na pedagogia trinitariana. Por exemplo, temos o cântico do “Glória Patri” , colocado ao final da leitura do Salmo como forma de lhe dar um colorido cristão e de se reafirmar a doutrina da Santíssima Trindade.

O uso da cruz como símbolo e, de modo igual, o “sinal da cruz” (a persignação) passa a ser incorporada a toda Igreja, primeiramente à Igreja Oriental e, posteriormente à Igreja Ocidental. Entretanto, já era de conhecimento e uso dos judeus-cristãos palestinenses como marca e sinal. Logo passou a ter uso na liturgia, permanecendo até os dias de hoje. Seguindo a tradição palestinense o sinal era feito somente sobre a fronte: ocasionalmente por gesto e, permanentemente por incisão ou cauterização.

Pelos motivos óbvios o sinal permanente foi trocado pelo gesto ocasional. Além disso, na forma usual de hoje, foi aumentado, fazendo-se inicialmente na fronte, depois no peito, por fim nos ombros esquerdo e direito, respectivamente.

A persignação é um modo de assinalar-se ou de assinalar outras pessoas e objetos. Ele guarda como sinal, os mesmos significados utilizados nas Escrituras Sagradas para outros sinais: penhor, confirmação, proteção divina, distinguir-se como povo de Deus e, principalmente, sinal de santificação, eleição e salvação. A cruz é o Sinal de Cristo. Assinalar-se com o mesmo é marcar-se para Ele, é confessá-lo como Senhor, é declarar dependência exclusiva d’Ele. Este é, pois, um gesto simbólico. Como qualquer símbolo, em si ele não é nada, não é aquilo que representa, mas, sim, aponta para o seu significado. Por isso, com óleo, no Santo Batismo e na Confirmação, se assinala a fronte do batizando, dizendo: “Eu te assinalo com a Cruz, o sinal de Cristo”.

Este gesto significa que aquele, aquela ou aquilo que o recebe passa a pertencer a Cristo. Significa também estar assinalado, marcado, com o Seu sinal. Tal gesto simbólico é, assim, um gesto litúrgico. Não somente no Batismo e na Confirmação, mas em outras partes da liturgia ele é repetido. O Culto inicia com este sinal, pois é feito “Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Utiliza-se também o gesto, neste caso o Bispo ou o Presbítero sobre a congregação, quando da absolvição dos pecados, visto que o sacerdote representa a Cristo e absolve em Seu nome. Na sagração de objetos, muito especialmente os elementos eucarísticos, faz-se o sinal da cruz sobre os mesmos, como representação de sua santificação; por este gesto são retirados do uso comum para o uso santo. Por fim, ao encerrar a liturgia, o ministro envia o povo de retorno ao mundo, para ser testemunha de Cristo, abençoando-o com o sinal de Cristo.

O Sinal da Cruz e seu abuso

Como se viu, um sinal simbólico nada é em si. Somente serve enquanto meio e instrumento de ajuda para a sua relação com aquilo que ele significa. Se alguém faz um cumprimento de mãos para selar um acordo de cavalheiros, mas lá dentro sabe que não o cumprirá, tal gesto é nulo. Se alguém abraça ou beija, mas está traindo aquele a quem dedica este gesto de afeto, tal gesto é nulo e mesmo odioso, como o fez Judas com o Senhor.

O mesmo acontece com o Sinal da Cruz. Ele é um gesto simbólico e litúrgico. Ele quer significar submissão a Cristo e mostra que um alguém pertence a Nosso Senhor Jesus Cristo. O mesmo se pode de seu uso sobre os objetos litúrgicos: o santuário, os vasos sagrados, os elementos sacramentais. Quando recebem o sinal da cruz, significa que estão separados do uso comum para um uso santo. O gesto não torna as coisas santas, mas indica o seu uso sagrado.

Ora, todo símbolo revela algo oculto. Ele significa algo que não se pode ver. A circuncisão era um sinal externo, mas os profetas alertam que a verdadeira circuncisão é a do coração. O mero sinal externo nada significa se não existir o correspondente interior. Esta foi a tentação de Israel com a marca externa da circuncisão, amplamente denunciada e combatida pelos profetas (Jr 4.9; 9.24). De nada adiante estar com a marca externa se não existir a interna (cf., Dt 10.12-22).

A exortação de Jesus Cristo e de São João Batista aos escribas e fariseus está na mesma linha dos profetas: “Deus pode fazer suscitar destas pedras filhos a Abraão” (Mt 3.9; Lc 3.8; Jo 8.39). O fato de estar circuncidado em si, nada significa se não se tem o correspondente disso no coração. O uso deste sinal externo torna-se supersticioso, mágico e um mero amuleto, perdendo o seu sentido real.

Este tem sido o abuso do Sinal da Cruz. Ele vem perdendo o seu significado e se tem transformado em um amuleto. Faz-se do mesmo um uso supersticioso, como se o gesto, em si, correspondesse a algum tipo de proteção contra males, moléstias, físicas ou espirituais. Este abuso mágico desvaloriza totalmente o significado simbólico do gesto, fazendo com que muitos, para não se associarem a estes elementos supersticiosos, o tenham abandonado e mesmo rechaçado.

Deve-se ter em mente que seu uso, antigo e tão significativo para a Igreja, conforme significação bíblica própria, somente torna-se superstição e amuleto por falta de compreensão e de ensino correto. Trocando em miúdos: a culpa deste abuso se encontra na docência da comunidade. Sem ensino o povo cai. Sem correção o povo erra. Abandonar seu uso é mais fácil do que ensinar e educar para a fé.

Na persignação se faz o sinal da cruz. Isso significa que aquele que se persigna está a serviço da Cruz de Cristo. Torna-se o que no passado se dizia ser um “cruzado”. Um soldado em luta pelos valores cristãos. Um soldado sob o comando de Cristo. Um soldado disposto a combater o bom combate. Sob o signo da Cruz é que o cristão vive no mundo, dando o seu testemunho e realizando as obras de Cristo. Torna-se, pois, uma nova pedagogia da cruz de Cristo, para um melhor conhecimento do significado da persignação.

Isso deve iniciar pela liturgia, passando pela teologia e, finalmente, chegando à práxis cristã no mundo. Não existe práxis sem cruz, nem cruz sem práxis. A cruz é, na verdade, a consequência da práxis. Jesus foi crucificado por causa do que disse e fez. Por causa de Suas Palavras e de Sua prática, teve como coroamento a crucificação. A persignação deixará de ser superstição e mero amuleto, quando se resgatar a verdadeira práxis cristã. Quando o púlpito deixar de ser mera auto-ajuda e passar a ser uma qualificação para a ação cristã no mundo, o sinal da cruz há de se tornar significativo e repleto de conteúdo para aqueles que agem por meio da fé.

Deus permita à Sua Igreja conhecer e entender o sinal de sua marca: Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Amém!

Autor:  Ven. Arc. Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes+, OFA Arcediagado Sul-Sudeste – 2ª Região Eclesiástica Igreja Anglicana – Diocese do Recife

segunda-feira, 7 de março de 2011

Deixe de ser Deus


Um livro que pode converter você em homem de novo

Deus está morto? Uma dos movimentos intelectuais mais detestáveis da atualidade é o dos pregadores ateus. Eles já responderam à pergunta que acabo de fazer, sem dar tempo ao tempo ou ao esquecimento. Dizem que sim. Pensadores como Richard Dawkins e jornalistas como Christopher Hitchens se acham no direito de interpelar seus leitores e seu público de palestras para questionar a validade da fé alheia. Há três anos, eles passaram a adotar a postura agressiva ao preconizar que os creacionistas são ridículos, que Deus não existe e a religião é o ópio do povo. É uma opinião a ser respeitada. Mas o modo como esses pensadores atuam no eterno debate sobre a fé soa prepotente. Os ativistas sem-Deus desprezam interlocutores. Ostentam sua superioridade intelectual e acadêmica para intimidar aqueles que são tementes a Deus. No fundo, o que esses professores enfurecidos anseiam é tomar o lugar da divindade e se tornar deuses da Religião da Ciência. Querem assassinar Deus e virar... deuses.

De minha parte, sou tão cético que não quero nem posso descrer em Deus. Se Ele estivesse morto e Christopher Hitchens redigisse o atestado de óbito, eu talvez visitasse o Seu túmulo para levar-Lhe flores. Nem por isso aceito virar alvo da intolerância ateísta. O fato de aceitar forças superiores ou de compreender perfeitamente a fé e a espiritualidade, sem alcançá-la, não me impede de acreditar também na teoria da evolução de Charles Darwin. Tenho dúvidas sobre a forma da divindade, ou seja lá o que for, se é Natureza, antepassados, ou pura energia. Separo fé de mundo concreto. A metafísica, dizia Borges, é a forma superior da literatura fantástica. E eu creio na fantasia. Não acho, enfim, que os cientistas tenham o direito de assumir o papel de xamãs da Ciência e investir contra os outros com suas poderosas armas lógicas de destruição em massa.

Para eles e aqueles que se acham Deus, tomo a liberdade de assumir o papel de conselheiro de almas. Gostaria de prescrever um dos livros mais interessantes que li nos últimos meses – e certamente uma das obra mais importantes da literatura brasileira de 2009. E é por isso que escrevo esta coluna, não para fazer uma jeremiada debruçado sobre Deus morto e Seus detratores. Escrevo para falar do romance Como deixei de ser Deus (Topbooks, 150 páginas, R$ 29,00), do escritor mineiro Pedro Maciel. É conveniente não confundir a obra com mais um daqueles títulos de autoajuda ficcional que infestam as livrarias que restaram pelo mundo. O poder do texto de Maciel é o do pensamento negativo, se pela expressão entendemos o impulso da reflexão crítica e metafísica sobre a existência humana e seu papel no universo.

A história do livro, se ela pode ser resumida, presta-se a várias interpretações, como obras literárias que se prezam. Tenho para mim duas leituras. O personagem-narrador afirma: “Eu morri em 2046”. Pode ser o drama de alguém que se crê Deus e, progressivamente, mesmo deslumbrado de si próprio, despe-se da empáfia ao se dar conta de sua condição mortal. Ou então a história da própria queda de Deus. Estatelado no deserto do planeta Terra, ele (não mais Ele) descobre que não passa de um ser imitado e passageiro no tempo e do espaço. E que o mundo que acabou de descobrir não é o seu (e não mais Seu) mundo. Ambas as tramas são fascinantes e levam à reflexão sobre a transcendência em um mundo esfrangalhado pela desumanização, o niilismo e a aniquilação.

Mas o melhor do livro é a forma que o autor adota para construir a “narrativa”. Em vez dos procedimentos comuns da prosa, ele conta a derrocada dessa estranha deidade protagonista por meio de aforismos, frases curtas que impressionam pelo caráter assertivo e, ao mesmo tempo, pela fragilidade do sujeito que as redige. Um sujeito que se desloca a tal ponto de o leitor jamais conseguir capturá-lo. É como se Deus ou um genérico se esgueirassem de qualquer possibilidade de apreensão, ou definição exata, ocultando-se em um fragmento encarnado em volume.

Pedro Maciel se porta como um cético apavorado pela exatidão. De tão descrente, passa a sugerir que acredita. Seus aforismos – e de outros autores citados, mas não mencionados - assumem a condição poemas precários ou capítulos curtos e falhos. Nisso, Como deixei de ser Deus não tem nenhum similar na literatura de que eu tenho notícia. Porque o gênero sintético do aforismo (Friedrich Schlegel denominou o aforismo de um ensaio condensado que se assume como fragmento) é usado para transmitir mensagens, não contar histórias. O narrador (ou sujeito lírico, ou filosófico) descreve-se assim, na terceira pessoa do singular. “ele pensa que é deus mas não passa de um pobre diabo (...) loucos guardam tristezas ancestrais”. Para definir a intenção da obra, ele cita Montaigne: “O que me faz rir não são as nossas loucuras, mas os nossos saberes”. E como a dar um recado aos beatos da ciência, ensina: “O que nos impede de construir pontes sobre os vazios? Metafísica é recordar o mundo; física é lembrar do mundo o tempo todo.” E a filosofia? “Tudo é filosofia, mas nem tudo é poesia. A filosofia poderia ser mais bem expressa como poesia”. E “há dias que são como poemas, não servem para nada”.

O pequeno e denso livro de Maciel está tão repleto de paradoxos enumerados no fio de ditos, que, no final, o leitor sente alívio em se descobrir humano novamente. Por essa razão, talvez, os ateístas panfletários, caso se dispusessem a lê-lo, poderiam receber lições e perder a mania de grandeza. Como diz o personagem-narrador: “Graças a deus que ninguém é deus!”

Luís Antônio Giron, no site da Época.

Cristianismo e Ateísmo

Entenda o que o ateísmo, e as suas diferentes formas de manifestação no mundo moderno
Rev. Augustus Nicodemus Lopes

O que é o ateísmo? A palavra “ateu” vem do grego “a” (sem) e “theos” (deus). É a negação teórica ou prática da existência­ de uma divindade. O sentido do termo tem variado consideravelmente na história. Até mesmo os cristãos primitivos foram considerados ateus, por não crerem nos deuses greco-romanos.
Na cultura ocidental moderna onde vivemos, predomina o monoteísmo cristão (a crença na existência­ de um único Deus). Portanto, ateu é quem nega a existência de uma divindade transcendente, perfeita, criador pessoal do universo, como afirmam os cristãos (e também, judeus e muçulmanos).

No mundo moderno, existem diversas formas de ateísmo que de maneiras variadas negam a existência de Deus:

Ateísmo filosófico. Pessoas de muita influência na história da humanidade têm atacado diretamente o conceito de religião em geral e do cristianismo em particular, como Marx, Freud, Feuerbach, Nietzche, Sartre. De formas diferentes­, afirmam que não se pode provar racionalmente que Deus existe. Não há muitos ateus filosóficos no Brasil (menos de 2% na última pesquisa da VEJA). Entretanto, é bem maior o número daqueles que, sem se declararem ateus, acreditam em alguns dos pontos do ateísmo.

Panteísmo. Do grego “pan” (tudo) e “theos” (deus). Ensina que tudo é deus e deus é tudo. Nem todo ateu é sem religião. Budistas e taoístas (religiões orientais) não acreditam num deus pessoal, mas numa força cósmica que penetra e une todas as coisas.

Politeísmo. Do grego “poli” (muitos) e “theos” (deus). Crê na existência de muitos deuses. Rejeita o conceito de um único deus pessoal, perfeito e criador do universo.

Deísmo. Acredita num deus pessoal, perfeito e criador do universo, mas nega que ele se envolva na vida diária das pessoas e na história do mundo.

Ateísmo prático. Muitos professam crer num deus, mas vivem como se ele não existisse ou fizesse diferença.

A Bíblia tem muito a dizer sobre o ateísmo: (1) É uma tolice que tem raiz no coração depravado do homem, Sl 14.1; 53.1; (2) É um esforço do homem em negar o que sua consciência diz, Rm 1.18-23; (3) Até os animais saberiam dizer que Deus existe, Jó 12.7-10.

Existem duas grandes dificuldades com o ateísmo em geral:

É contrário à razão e à ex­periência humana. A história tem provado vez após vez que é impossível suprimir o desejo pelo divino que existe no coração da humanidade (de qualquer época, em qualquer lugar). O ateísmo não consegue dar descanso à mente e ao coração humano. Após um período onde o ateísmo pareceu triunfar (racionalismo) a humanidade retorna outra vez ao misticismo. A mesma história testifica que existem profundos instintos religiosos dentro do peito humano. Negar isso não é cientifico. De onde vêm esses instintos? “Seria irracional admitir a existência desses desejos e tendências e ainda assim acreditar que eles não correspondem a nada que exista fora do homem, ou que essa tendência não tenha qualquer alvo” (Reville).

Não explica a existência do homem e do universo em geral. Não se pode negar a existência do homem e do universo. Mas, de onde vieram? O ateísmo não tem respostas adequadas a essas perguntas. O evolucionismo materialista já está sendo descartado, como descartados foram antes dele outras teorias para explicar o surgimento do universo, pois não explica a evidência clara de que existe propósito, ordem e harmonia no universo.

Diante da possibilidade de encontrar pessoas assim, o cristão deve: (1) Orar sempre, pedindo sabedoria para responder (Tg 1.5); (2) Ter respostas razoáveis aos argumentos dessas pessoas (1 Pd 3.15); (3) Lembrar que somente Deus pode iluminar o entendimento das pessoas (1 Co 2.9-16).

Finalmente lembremo-nos que o pior tipo de ateísmo é aquele dos cristãos somente de nome, mencionados por Paulo: “No tocante a Deus, professam conhecê-lo; entretanto, o negam por suas obras” (Tito 1:16).

domingo, 6 de março de 2011

Diálogo entre um ancião e um ateu - parte 2

Continuação das exposições do dialogo entre o Ancião Epiphanios Theodoropoulos com um ateu marxista.

Ateu:
Você viu essas coisas? Como você pode acreditar nelas?

Ancião:
Não, eu não vi nada disso, mas outros viram: os Apóstolos. Eles, por sua vez fizeram esta descoberta por nós, e na verdade eles "assinam" o seu testemunho com seu próprio sangue.
E, como todos reconhecem, um testemunho dado com a própria vida é a forma suprema de testemunho.
Por que você não me traz o mesmo, alguém que me diga que Marx morreu e ressuscitou, e que tal testemunha está disposta a sacrificar sua vida para testemunhar isso? I,Se for um homem honesto, poderia se acreditar nele.

Ateu:
Mas digo a você que há milhares de comunistas que foram torturados
e morreram por sua ideologia. Por que então você não vê o comunismo, da mesma forma?

Ancião :
Você mesmo disse. Comunistas morreram por sua ideologia. Eles não morreram por eventos reais. Através de uma ideologia é muito fácil enganar e conduzir homens porque é uma característica da alma humana sacrificar-se por algo em que acredita, e isso explica por que tantos comunistas morreram por sua ideologia. Mas isso não nos obriga a aceitar essa ideologia como algo verdadeiro.
Pois uma coisa é morrer por idéias, e outra muito distinta é morrer por fatos.
Os Apóstolos não morreram por idéias. Nem mesmo pelo "Amai-vos uns aos outros", ou a qualquer outro ensinamento moral do cristianismo.
Os apóstolos morreram pelo seu testemunho dos acontecimentos sobrenaturais. Que vivenciaram E quando dizemos 'Eventos', queremos dizer que morreram por algo que pode ser capturado pelos nossos sentidos físicos sentidos, e ser compreendido por eles.
Os apóstolos sofreram o martírio por " que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida"(João I, 1)
Assim como a especulação inteligente de Pascal, dizemos que uma das três coisas a seguir aconteceram com os Apóstolos: ou eles foram enganados, ou eles nos enganaram, ou eles nos disseram a verdade.
Vamos pegar o primeiro caso. Não é possível para os Apóstolos terem sido enganados, porque tudo o que relataram, não foi relatado a ele por outros.
Eles viram com os próprios olhos e ouviram com seus próprios ouvidos, e assim foram as testemunhas de todas as coisas. Além disso, nenhum deles era dotado de uma imaginativa personalidade, nem tinham qualquer inclinação psicológica que os fizesse aceitar a Ressurreição automaticamente.
Muito pelo contrário - elas eram terrivelmente desconfiados.
Os Evangelhos são extremamente reveladores em suas narrações sobre as suas disposições espirituais: eles mesmo desacreditaram algumas pessoas que tinham realmente visto O ressuscitado.
E uma outra coisa : Quem eram os Apóstolos, antes de Cristo Os chamar ?
Seriam eles, talvez ambiciosos políticos e visionários dos sistemas filosóficos e sociais, ansiosos por conquistar a humanidade e, portanto satisfazer as suas fantasias? Não, nada próximo disso. Eles eram pescadores analfabetos.
A única coisa que lhes interessava era pescar alguns peixes para alimentar suas famílias.
E mesmo após a crucificação do Senhor, e apesar
tudo o que tinham ouvido e visto, eles voltaram para seus barcos de pesca e suas redes. Em outras palavras, não há um um único vestígio de elaboração pessoal desses homens sobre todas as coisas que estavam para acontecer. Foi somente após o Dia de Pentecostes, "quando receberam força a partir do Alto” que estes homens simples se tornaram os professores do universo.
Vamos a segunda hipótese de Pascal : Será que eles nos enganaram? Eles mentiram para nós? Mas então, por que eles nos enganariam? O que eles teriam ganho mentindo? Dinheiro? Status? Glória?
Pois para alguém contar uma mentira, este alguem deve esperar algum tipo de ganho.
Os Apóstolos, porém, com a pregação Cristo - que de fato Cristo foi crucificado e ressuscitou - as únicas coisas que asseguraram para si foram:
dificuldades, , apedrejamentos, naufrágios, fome, sede, nudez, ataques dos ladrões,espancamentos, prisões e, finalmente, a morte.
E tudo isso, por uma mentira? Seria tolice, sem dúvida, de forma que não podemos também considerar a segunda hipotese de Pascal.
Consequentemente, os apóstolos não se enganaram, nem nos enganaram.
Isso nos deixa a terceira escolha: Eles nos disseram a Verdade.
Gostaria também de salientar outra coisa aqui: O Evangelistas registraram a verdade dos acontecimentos históricos. Eles descrevem os acontecimentos, e só os eventos.
Eles não recorreram a qualquer juízo pessoal. Eles não elogiam ou criticam os personagens. Eles não fazem nenhuma tentativa de exagerar um evento, nem eliminar ou subestimar o outro. Eles permitem que os acontecimentos falam por si mesmos.

Ateu:
Mas você não está excluindo a possibilidade de que, no caso de Cristo, ocorreu apenas um incidente de morte aparente? Pois em um outro dia, os jornais escreveram sobre alguém na Índia que enterrado, mas que sendo exumado três dias após seu enterro, foi encontrado ainda vivo.

Ancião : Minha pobre criança! Vou recordar as palavras do abençoado Agostinho: "Ó, infiel, você não está realmente desconfiado, na verdade, você é o mais crédulo de todos, pois você aceita as coisas mais improváveis, e mais irracionais, as mais contraditórias, a fim de negar um milagre! "
Não, meu filho. Não foi um caso de morte aparente com Cristo. Primeiro de tudo, temos o testemunho dos centuriões romanos, que tranquilizaram a Pilatos sobre a certeza da morte de Cristo.
Então, o nosso Evangelho nos informa que no mesmo dia de sua Ressurreição, o Senhor foi visto conversando com dois dos seus discípulos, caminhando para Emaús, que era mais do que dez quilômetros de Jerusalém.
Você pode imaginar alguém, que poderia passar por todos as torturas que Cristo sofreu, e três dias depois de Sua "Morte aparente",estar tão disposto para poder realizar tal coisa? Nem se Ele tivesse sido alimentado com canja de galinha durante quarenta dias para ser capaz de abrir os olhos, andar e falar como se nada tivesse acontecido!
Quanto ao tal hindu do seu exemplo, ele foi castigado, submetido a uma flagelação ?
Ele foi acoitado por um chicote cuja as tiras, cada uma, tem um pedaço de chumbo costurada nelas, com pregos afiados de ossos ou anexado em suas pontas ?
Traga-o aqui para que possamos ver o que a coroa de espinhos cravada em sua cabeça deixou como marcas. Pois talvez quando este Hindu tenha sido crucificado, alguem tenha dado a ele vinagre para beber quando este disse ter sede, e aí alguem pode ter o perfurado como uma lança, e depois o colocaram em um tumulo...
Se após tudo isso ter acontecido com ele, este Hindu retornou dos mortos, nós podemos ficar interessados em comparar as historias.

Ateu:
Certo , mas todos os testemunhos que você tem aqui exposto pertencem aos discípulos de Cristo. Existe algum testemunho sobre este assunto, que não venha do seu círculo de Discípulos? Há algum historiador, por exemplo, que pode certificar a Ressurreição de Cristo? Se assim for, então eu também acreditarei no que você diz.

Ancião :
Pobre criança ! Você não sabe o que está dizendo agora! Se tivesse havido historiadores que testemunharam o Cristo ressuscitado, eles teriam sido obrigados a acreditar na Sua ressurreição e teriam registrado tais eventos como crentes, o que faria você os rejeitar como fontes de testemunho isento, da mesma forma que você rejeita o testemunho de Pedro, o testemunho de João, etc...
Como pode ser possível, para alguém que realmente testemunhou a Ressurreição, este alguem não se tornar cristão? Vou lembrá-lo que eu já apresentei os historiadores que você está pedindo , pois como já disse anteriormente, os únicos verdadeiros historiadores são os Apóstolos.
No entanto, temos tambem testemunhos do tipo que você quer, de alguém que não pertencia ao círculo de discípulos do Cristo: Este é Paulo.
Paulo não só não era um discípulo de Cristo, como ele mesmo perseguia a Igreja de Cristo implacavelmente!

Ateu:
Mas dizem que Paulo sofria de insolação e que sua conversão foi causada por uma alucinação.

Ancião : Meu filho, se Paulo estava alucinado, a única coisa que poderia ter vindo à tona seria o seu subconsciente. E no subconsciente de Paulo, os Patriarcas e os profetas teriam aparecido a ele, que poderia ter delirado com as visões de Abraão, Jacó e Moisés, mas nunca de Jesus, a quem considerava um agitador e uma fraude!
Você pode imaginar uma velhinha ortodoxa e fiel ver Buda ou Júpiter em seu sonhos ou em um delírio? Seria mais provavel ela ver São Nicolau ou Santa Bárbara, porque ela
acredita neles.
E só mais um detalhe: Com Paulo, temos o registro dos seguintes fenômenos miraculosos: Primeiro de tudo, o abrupto da sua conversão. Direto da infidelidade a fé, sem nenhuma etapa intermediária preparatória.
Em segundo lugar, a firmeza de sua fé. Ele não vacilava, não tinha dúvidas.
E em terceiro lugar, a sua fé durou por todo o tempo de sua vida. Você acredita que todas essas coisas podem acontecer depois de um caso de insolação? Essa explicação não pode de forma alguma, seratribuída como causa.
Se você pode refutar isso o faça, mas se não for possível, então você deve admitir o
milagre. E você deve saber que para um homem do seu tempo, Paulo foi excepcionalmente bem-educado. Ele não era um simples homem mediano que ficou totalmente debil
Além disso, vou acrescentar mais alguma coisa.
Nós, hoje, meu filho, estamos vivendo em uma época excepcional. Estamos vivendo o milagre da Igreja de Cristo.
Quando Cristo disse sobre a Sua Igreja que "as portas do inferno não prevalecerão contra ela"(Mateus 16:18), seus seguidores contavam em um número muito reduzido.
Quase dois mil anos se passaram, desde aquele dia. Impérios desapareceram, filosófias e sistemas foram esquecidos, as teorias do mundo desmoronaram, mas a Igreja de Cristo permanece indestrutível, apesar das dramáticas e contínuas perseguições a qual fora submetida. Isso não é um milagre?
E uma última coisa : No Evangelho de Lucas diz que, quando a Santa Mãe de Deus visitou Isabel (mãe de João Batista) depois da Anunciação, ela foi recebida com as seguintes palavras:
"Bendita és tu entre as mulheres". E a Santa Mãe de Deus respondeu o seguinte: "Meu coração engrandece ao Senhor. Eis que a partir deste momento, todas as gerações me chamarão bem-aventurada ".
Quem era a Santa Mãe de Deus naquele momento? Ela era apenas uma obscura filha de Nazaré. Quantos sabiam dela? E no entanto, desde esse dia em diante, imperatrizes foram esquecidas, nomes de mulheres ilustres foram extintos, mães e esposas dos grandes generais entraram em esquecimento.
Quem se lembra ou mesmo conhece, a mãe de Napoleão ou a mãe de Alexandre, o Grande? Quase ninguém. Mas milhões de lábios em cada canto do mundo, ao longo dos tempos, veneram a humilde filha de Nazaré, a "mais veneravel que os Querubins e incomparavelmente mais gloriosa que os Serafins".
Somos ou não somos nós, o povo do século XX, que consagra como verdadeiras as palavras da Santa Mãe de Deus?

Ateu:
Eu tenho que admitir que seus argumentos são bastante sólidos.Mas gostaria de lhe perguntar mais uma coisa: Você não acha que Cristo deixou a Sua obra inacabada?
Ou seja, a menos que Ele nos tenha abandonado. Não posso imaginar um Deus que permaneceria indiferente ao sofrimento da humanidade. Estamos aqui labutando, enquanto Ele, até lá, permanentemente apático.

Ancião :
Não, meu filho. Você não está certo. Cristo não deixou Sua obra inacabada. Pelo contrário, Ele é o único caso na história em que uma pessoa tem a certeza de que Sua missão foi cumprida, e não tinha mais nada para fazer ou dizer. Mesmo o maior dos filósofos, Sócrates, que discutiu e ensinou durante sua vida inteira, e no final compôs uma intrincada "Apologia", certamente ainda teria mais a dizer se tivesse continuado vivo.
Somente Cristo - na faixa de tempo de três anos – ensinou o que Ele tinha para ensinar, fez o que tinha que fazer e, finalmente disse (na cruz): "Tudo está consumado". Outra amostra de Sua perfeição e autoridade divina.
Quanto ao abandono que você mencionou, eu posso entender a sua preocupação.
Sem Cristo, o mundo passa a ser um teatro de insanidades. Sem Cristo, você não pode explicar coisa alguma: por que existem tristezas, injustiças, falhas, doenças, por que isso e porque aquilo .... e seguremos em uma monumental lista de "porquê" s.
Tente entender! O homem não pode se aproximar de todos esses "Porquê" s com sua lógica finita.
É somente através de Cristo que tudo pode ser explicado.
Meu filho, Cristo nunca nos abandonou. Ele está sempre conosco como um amigo e um defensor, até o fim dos tempos. Mas você só vai perceber isso quando você se tornar um membro consciente da Sua Igreja e receber os Sacramentos.

Re-publicado a partir do livro " A vida e ensinamentos do Geronta Ephifanios".